Kakebo: Conheça o Método Japonês Que Ajuda Você a Poupar e Controlar Suas Despesas

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Kakebo: Conheça o Método Japonês Que Ajuda Você a Poupar e Controlar Suas Despesas

Posted in : Blog on by : Douglas

Quando o assunto é gerenciar melhor o nosso dinheiro, estamos “carecas” de saber que adotar um orçamento familiar ou pessoal é uma das melhores maneiras de monitorar os nossos gastos.

E nesse ponto existe um leque de opções no mercado para nos ajudar na difícil tarefa de descobrir o misterioso caminho que o nosso dinheiro percorre ao longo do mês.

Kakebo: Conheça o Método Japonês Que Ajuda Você a Poupar e Controlar Suas Despesas

Assim como religião e política não se discutem, cada pessoa tem as suas preferências particulares: desde apps instalados em seu smartphone até softwares on-line, passando pelo versátil Excel.

Porém, existe um método milenar que tem resistido ao avanço da tecnologia e se mostrado muito eficiente ao longo do tempo: o velho e bom diário.

Ou então uma caderneta onde podemos notar nossas receitas e, principalmente, as despesas.

Aliás, minha primeira planilha financeira foi toscamente rascunhada com papel e caneta. E lá se vão mais de uma década, muitos erros e acertos. Como digo: o importante é dar o primeiro passo e decidir assumir o controle da sua vida.

E foi pesquisando esses recursos “à moda antiga” que tive a grata de surpresa de me deparar com uma ferramenta perfeita para ajudá-lo a administrar seus gastos diários.

Trata-se de um livro de contas muito comum no Japão: o Kakebo. Vejamos no próximo tópico do que se trata esse estranho nome.

1 O Que é o Kakebo?


Como disse, o Kakebo nada mais é do que uma agenda financeira.

Reza a lenda nipônica que, no Japão, as donas de casa nunca se separavam deste pequeno livro diário onde anotavam todas as despesas da casa.

Em japonês, Kakebo significa “livro de contas das despesas de casa” (ou “livro de contas para a economia doméstica”). É a soma de dos três caracteres com que se escreve na língua original (家計簿).

Para você ter uma ideia da popularidade desse livrinho no Japão, cerca de um milhão de exemplares são vendidos todos os anos.

O grande trunfo do Kakebo é nos levar a refletir, de uma forma lúdica, sobre nossos hábitos de consumo.

Uma constatação que sempre identifico em minhas consultorias financeiras, principalmente quando faço uma análise complete do orçamento do cliente, é que muitas escolhas são irracionais, ou seja, são fruto mais do desejo do que de ações planejadas.

2 Breve História do Kakebo


Segundo o site da Editora Vogais, o Kakebo tem a sua origem histórica ligada à uma mulher chamada Motoko Hani. Vejamos um pouco mais:

A palavra Kakebo está ligada ao nome de uma mulher, pioneira em quase tudo e afortunada por ter sido testemunha de uma mudança social sem precedentes. Chama-se Motoko Hani (Japão, 1873–1957) e foi filha da revolução e da modernização de um país. Fez parte da primeira geração de mulheres do então recém-inaugurado instituto feminino de ensino superior de Tokio, tendo-se tornado na primeira jornalista do Japão. Fundou ainda a Jiyû Gakuen, um exemplo único de escola feminina de ensino livre que advogava a liberdade, identidade e independência da mulher. Como jornalista, em 1903 criou aquela que é ainda hoje a revista feminina mais antiga do país, Fujin no tomo («A companheira da mulher»), através da qual incentivou as leitoras a registar sempre as suas receitas, despesas e poupanças, fomentando assim o controlo diário da economia doméstica.

3 Como Funciona o Kakebo?


Do mesmo modo que uma agenda comum, o Kakebo é um livro que serve para “agendar” seus compromissos financeiros.

O grande trunfo dele são as várias tabelas destinados à anotação dos gastos que facilitarão o trabalho de decidir em que despesas você pode poupar e investir, além de muitas dicas para economizar.

O Kakebo divide o ano em 12 meses, sendo que você deverá registrar em cada mês suas receitas e despesas fixas, divididas em algumas poucas categorias:

1. Sobrevivência

Esta categoria engloba todas as despesas de rotina que sejam essenciais, como a alimentação, a saúde, o transporte etc.

2. Lazer

Nesta categoria deverá registar tudo o que consome apenas por puro entretenimento ou vício pessoal (bares, restaurantes, lanches, cosméticos, roupas etc).

3. Cultura

São todas as atividades ou objetos que não só aportam um pouco de lazer, como também nos enriquecem intelectualmente (livros, espetáculos, cinema etc).

4. Extras

Estas são as despesas que não encaixam em nenhuma das 3 categorias acima.

Exemplos: urgências médicas, acontecimentos inesperados que requerem um desembolso, ou produtos e serviços que tenham uma duração muito longa, em mais do que um dia.

Lembre-se: o importe é registrar fielmente para onde vai cada centavo.

Segundo o site de divulgação do livro, o Kekebo ainda tem o poder de ajudá-lo nos seguintes aspectos:

  • Controle todas as suas despesas mensais e semanais, reorganize o seu consumo diário e analise os resultados mês a mês.

  • Aprenda a priorizar e categorizar os seus gastos, de acordo com as suas necessidades diárias, e exerça um consumo mais responsável.

  • Observe o seu consumo diário e reflita sobre as formas objetivas e mais simples para subsidiar os seus maus hábitos financeiros por outros mais adequados à sua vida.

Se você queria um instrumento simples, divertido e que te dê condições para reorganizar suas finanças diárias, o Kakebo tem grandes chances de fornecer os meios para que você consiga implementar hábitos mais responsáveis.

4 Colocando o Kakebo em Prática


O Kakebo funciona na base de um processo contínuo de registro, planejamento, análise e melhoria contínua.

A sacada é colocar diante de seus olhos onde você “saiu da curva” e quais despesas precisam de uma “marcação cerrada”.

Vejamos agora 10 passos de como utilizar o Kakebo na prática:

  1. No princípio de cada mês, determine quais são as suas receitas e as suas despesas fixas. A diferença entre elas permitir-lhe-á saber que dinheiro tem disponível a cada mês.

  2. Após, defina seu objetivo mensal: Subtraia as suas DESPESAS FIXAS às RECEITAS. O resultado será o dinheiro que terá disponível no seu porquinho para ir utilizando no decorrer do mês.

  3. Cada vez que começar um novo mês, estabeleça um ou vários objetivos que queira cumprir, seja a curto ou longo prazo.

  4. Elabore algumas “promessas” para o mês. Reflita em pequenas decisões e gastos diários que o ajudem a corrigir os seus maus hábitos de consumo. Anote tantas promessas quantas acha que poderá cumprir. Seja sincero!

  5. Quanto dinheiro pretende poupar? Estabeleça um valor estimado de poupança em função dos seus objetivos.
  6. Registre dia a dia todas as suas despesas semanais. Todas as compras que você fizer no dia deverão ser registradas (guarde todos os comprovativos de compra ao longo do dia, e apontar todos os valores antes de se deitar, ou em um momento mais relaxado).

  7. Faça o balanço do mês: ao final de cada mês chega a “hora da verdade”. No livro, existe um mortal combate entre o porquinho da poupança e o lobo da despesa.

  8. Chegou o momento de rever os seus objetivos e promessas. Não lhe servirá de nada olhar para as despesas sem um pouco de autocrítica e avaliação dos pontos fortes e fracos do seu orçamento. Conseguiu alcançar seus objetivos mensais? Cumpriu com todas as suas promessas? Precisa adotar algum “truque” para combater uma despesa persistente?

  9. Compare e a previsão inicial de poupança que fez ao começar o mês com a poupança real que conseguiu.

  10. Registe, nas tabelas respetivas, o gasto semanal e o total do mês para cada uma das categorias (sobrevivência, lazer, cultura e despesas extras). No fim do ano precisará de saber o total de cada uma para poder fazer um gráfico de balanço anual. Também será uma ajuda para ganhar consciência, pouco a pouco, dos seus hábitos e de onde vai parar o seu dinheiro —por exemplo, se deve reduzir a sua despesa em lazer, investir mais em cultura etc.

5 O Kakebo Serve Para mim?


Tem pessoas que já tentaram de tudo para controlar seu orçamento e ainda não se adaptaram a uma planilha de Excel.

Ou, quem sabe, começaram a usar um aplicativo financeiro pessoal mas desistiram no meio do caminho…

Outras simplesmente não conseguem poupar muito dinheiro porque não costumam anotar suas receitas e seus gastos.

A maioria dos brasileiros têm o péssimo hábito de ter as contas na cabeça, o que torna quase impossível controlar com exatidão a despesa.

O engraçado é que na era da informação todos nós trabalhamos com dados, indicadores, com previsão de cenários etc.

Mas quando se trata da vida financeira, quase não nos preocupamos em obter dados das nossas finanças pessoais.

Talvez seja por isso que quatro em cada dez brasileiros vivem acima do seu padrão de vida, segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Perceba que em todas as situações acima, a falta de disciplina e persistência para alimentar o orçamento estão na base de 90% do fracasso.

Por isso, vejo com bons olhos o Kakebo para quem precisa de uma ferramenta que esteja sempre à mão (literalmente).

O material é muito bem organizado, o visual colorido com dicas úteis para cada momento estimula a ação e, além disso, é simples de usar (desde que você dedique alguns minutos por dia).

Em resumo, o Kakebo é como uma agenda de contabilidade pessoal ou um histórico de suas decisões de consumo.

Mas o que realmente me agrada é que ele serve para orientá-lo na base diária.

Para quem tem dificuldade de enxergar o longo prazo, o Kakebo força você a revisar suas contas na base diária, semanal e mensal.

Sem dúvidas, é uma ótima maneira de você se tornar mais consciente de como seus gastos estão influenciando o seu estilo de vida.

Quanto evoluí? Onde estourei o orçamento do mês? Quais hábitos devo abandonar para “engordar” meu porquinho?”, são perguntas que você poderá fazer a todo momento.

Para quem se interessar pelo livro do Kakebo, listei abaixo os links de algumas editoras onde você pode comprá-lo:

  • Saraiva.
  • Livraria Cultura.
  • Record.
  • Americanas.
  • Martins Fontes.
  • Cia dos Livros.

Como disse Eric Girardot, você precisa se tornar um especialista do seu dinheiro para conseguir refletir se suas despesas o estão aprisionando ou libertando financeiramente.

PERGUNTA AO LEITOR:

“Qual abordagem você usa para controlar seu orçamento?”

Se tiver dúvidas ou sugestões, comente à vontade. Obrigado e até a próxima!

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